e-music com referências.
artigo escrito e publicado no extinto Magazine de Luxo ON SPEED por Marcos Morcerf


Moda e música tem tudo a ver. Os criadores da moda e os criadores de música
eletrônica, os produtores e DJs,também se parecem muito. Ambos procuram
expressar sua visão de mundo estilizado para um público. Tem estilistas e
DJs mais experimentais. Outros bem comerciais.Tem aqueles que se fixam apenas
nas novas experiências, novos timbres, novos materiais e novas formas, sem
se preocupar muito como o público vai assimilar a proposta. Tem aqueles que
apenas reproduzem o que já está assimilado e implantado no público,reprodutores de hits e de sucesso fácil. Tem aqueles que procuram interpretar o seu tempo, buscando referências na história da moda e/ou da música, lançando um novo olhar, fundindo às novas formas e pesquisas,educando e divertindo ao mesmo tempo. Buscando um público mais amplo e bem informado. Claro que nesta catogoria, a amplitude da cultura e conjunto de referências do estilista e/ou DJ serão fundamentais na realização da proposta.
Boto fé nesta parada.

A House Music, por sua batida característica 4X4, e seus BPMs - Batidas Por
Minutos, mais lentas (com 127 a 132 bpms dão pra construir um bom set de
House e Tech House), se presta à fusão experimental com uma gama imensa de
influências da história da música: ritmos sensuais tribais afro-latinos-caribenhos
e o hypadíssimo Brazillian Flavour, Jazz, Bossa Nova, Soul, Disco, Psicodelismo
Funk dos anos 60, Rithym Blues, experiências eletrônicas mais techy e texturas
abstratas, etc... São elementos bastantes utilizados por produtores de House
Underground e misturados por DJs inovadores que mixam diferentes referências,
buscando construir um set rico em informação musical e emoção. A ousadia e
bom gosto, dependem da experiência do criador em utilizar essas referências, dosando proporções e novas misturas, sempre procurando mostrar um novo ângulo, uma nova possibilidade. Além do que, sempre dá pra cativar mais pessoas para gostarem de música eletrônica, se elas são fisgadas por alguma referência musical que já conhecem e a redescobrem agora numa nova linguagem. E os que não têm muito repertório de referências...bem, acabam absorvendo de forma sintetizada um pouco de cultura musical, divertindo-se.

Dentro do cenário mundial,particularmente muito me agrada um tripé no campo
da cena House e Tech House atual.Um polo, o dos DJs François Kervorkian,
JoeClaussel e Dani Krivit, no caldeirão novaiorquino da Body & Soul, repleto
de rítmos e e influências afro-latinas, caribenhas, brasileiras e jazzísticas.
Outro pólo bastante arejado e inovador são os dos DJs e produtores de São Francisco na Califórnia : Miguel Migs, Rasoul, Dano,Garth, Marco Farina, Hipp-E, Tony, Halo, etc.. Tem buscado, por exemplo,referências de Psicodelismo Sixtie,
nas bandas de rock californianas, e também caem de boca na cultura latino americana. O núcleo que atua nos clubs The End e Fabric, londrinos, abrigam outra boa panela de produtores e DJs que apostam nas fusões limítrofes do House com o Techno e até Beakbeats: MR.C, Bushwacka, Terry Francis, Asad Rizvi, Nilss Hess, Eddie Richards, Nathan Coles.Com uma boa experiência desde o tempo da Acid House,têm olhado com atenção a House Americana.

Releases dos DJs californianos tem estado presente nos set de muitos DJs
europeus e vice-versa; tem sido feitas boas parceirias musicais conjuntas, e
inclusive o selo inglês Eukahouse lançou o ótimo cd mixado do californiano
DJ Dano. Com uma gama tão grande de influências, tem para todos. De bom
gosto.